quarta-feira, 16 de maio de 2018



MEDICINA PARA LEIGOS: OLHO SECO


O olho seco é uma doença causada por diversos fatores, que afetam as lágrimas e a superfície ocular, diretamente ou indiretamente, levando a uma alteração do volume ou função da lágrima.

Alguns desses fatores de risco são a idade, principalmente, após os 40 anos, o sexo feminino devido a questões hormonais, o uso de cigarro, porque a fumaça irrita diretamente o olho, além da diabetes, estresse, uso de lentes de contato, e de medicamentos antidepressivos e antipsicóticos. Outro importante fator, e, que está causando um aumento dessa doença, é a leitura em telas eletrônicas por longo tempo, porque, normalmente, nós piscamos 25 vezes por minuto e quando estamos lendo, podemos chegar a piscar somente uma vez por minuto, o que favorece a evaporação da lágrima.
Então a pessoa que está sofrendo com essa doença, vai ter uma vermelhidão difusa no olho, uma sensação de corpo estranho, “areia nos olhos”, e queimação que pioram ao longo do dia, uma coceira nos olhos e sensibilidade à luz.

O tratamento, então, vai ter como objetivo reestabelecer a fisiologia normal da lágrima e da superfície ocular e vai variar de acordo com a gravidade da doença, mas a grande maioria das pessoas já irão se sentir bem melhor somente mudando de ambientes com pouca umidade como os com ar condicionado, substituindo as lentes de contato por óculos, diminuindo o tempo em frente às telas eletrônicas, fazendo a higiene dos olhos e, quando for necessário, usando colírios lubrificantes.

Referência: BOWLING, Bradi & KANSKI, Jack J. Oftalmologia Clínica: Uma abordagem sistêmica. Editora Elsevier, 8 edição. 2016

Acadêmicos: Fillipe Laignier e Abner Machado

segunda-feira, 14 de maio de 2018



Achados de imagem: sinal do cordão




O sinal do cordão é o aumento da densidade dos seios e das veias corticais ou profundas devido a um episódio de trombose venosa cerebral (TVC) e é um sinal direto de TVC, assim como o sinal do delta vazio.
A TVC é rara e com clínica variada, sendo mais comum em mulheres jovens, devido a uso de anticoncepcionais, gestação e puerpério. O diagnóstico pode ser feito pela TC de crânio, sendo a RNM o método de escolha e a angiografia o mais invasivo.

Referência: GONÇALVES, Fabrício Guimarães et al. Signs in neuroradiology: part 1. Radiologia Brasileira, v. 44, n. 2, p. 123-128, 2011.

Acadêmicos: André Iglesias e Débora Tana

sexta-feira, 19 de maio de 2017


Sinais Clínicos: Sinal de Hoover

            Vamos à busca de mais um sinal clínico, dessa vez iremos abordar um distúrbio do sistema respiratório. Para compreender o sinal clínico que será apresentado, inicialmente precisamos indagar: você conhece a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)?
            A DPOC é definida pela limitação do fluxo aéreo de forma crônica. A doença engloba o enfisema pulmonar, caracterizado por destruição e dilatação dos alvéolos pulmonares, e a bronquite crônica, afecção inflamatória que compromete os brônquios, na qual o paciente apresenta tosse crônica e expectoração purulenta. Dentre seus fatores de risco, destaque é dado ao tabagismo. Além do último, estudos mostram também risco aumentado relacionado à poluição do ar e de acordo com a exposição ocupacional do paciente, como observado em trabalhadores de minas de carvão.
            Os sintomas mais comuns são tosse, produção de escarro e dispneia aos esforços, que podem evoluir por meses ou anos agravando os sintomas. Como se trata de uma doença progressiva, é importante investigar a história do paciente na anamnese, atentando-se para o fato de que muitas vezes o acometido relaciona seus sintomas a uma doença aguda e não à exacerbação de sua doença crônica.
            O exame físico pode ser normal ou apresentar algumas alterações, que vamos comentar a seguir, a depender do comprometimento da doença. Um sinal clássico é o tórax em tonel (aumento no diâmetro ântero-posterior do tórax) e em quadros da doença avançada podemos encontrar o Sinal de Hoover: movimentos paradoxais do gradil costal para dentro durante a inspiração, ou seja, retração do tórax durante a inspiração. Isso porque no enfisema encontramos um diafragma retificado, levando a alteração da contração diafragmática em virtude da hiperinsuflação crônica. A figura a seguir demonstra uma imagem típica do ensino tradicional, retratando o paciente enfisematoso como “soprador rosado” (pink puffers) onde características como magreza e uso importante da musculatura acessória chamam atenção, por outro lado, representam aqueles com bronquite crônica como “pletórico cianótico” (blue bloaters), paciente com ganho de peso e cianótico. Entretanto, é importante ressaltar que a maioria dos pacientes com DPOC apresentam características das duas entidades ao exame físico.


Matéria escrita pela ligante Débora Tana.

Referência:

Medicina Interna de Harrison. Editora AMGH, 18ª edição, v. 2. 2013.  

quarta-feira, 17 de maio de 2017


Achados de Imagem: Anel de sinete

Bronquiectasia é uma dilatação anormal e irreversível dos brônquios e bronquíolos, provocada por lesões na parede brônquica ou por defeito na sua formação, causada por ciclos repetidos de infecção e inflamação das vias aéreas.
As bronquiectasias podem ter causas, infecciosas ou não infecciosas. Algumas delas podem ser obstruções (corpo estranho ou tumor por ex.), fibrose cística, hipogamaglobulinemia, infecção por Mycobactéria não tuberculosa, síndrome de Sjögren, ou ainda pode ser idiopática. A patogenia da doença ainda não é bem conhecida, algumas explicações incluem acúmulo de secreções no brônquio, levando à infecção e lesão da via aérea, forças de tração devido a distorções no tecido pulmonar circundante, e alterações de pressão devido a fechamento de outras vias aéreas.

Figura 1 - Bronquiectasias. É possível ver os brônquios dilatados no interior do pulmão e o sinal do "anel de sinete" (apontado pela seta; não foram todos foram indicados).
Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1806-37132015000300251&script=sci_arttext&tlng=pt
Os pacientes comumente apresentam tosse crônica e, em geral, produtiva com escarro espesso e viscoso. Outros sintomas incluem dispnéia, hemoptise intermitente e dor torácica pleurítica. Ao exame físico, estertores e sibilos podem ser encontrados na ausculta pulmonar, podendo alguns pacientes apresentar baqueteamento digital. O diagnóstico é feito com base na clínica e em sinais radiológicos consistentes. A tomografia computadorizada (TC) é considerada o método de preferencia para confirmar o diagnóstico, a qual apresenta um sinal tomográfico importante presente na bronquiectasia, Anel de Sinete, que representa um brônquio dilatado com diâmetro maior que o vaso pulmonar adjacente. Outros sinais que podem aparecer na TC além do anel de sinete são o sinal do “trilho do trem” (outro indicador de dilatação das vias aéreas), brônquios que não se afilam, espessamento de parede brônquica das vias dilatadas, secreções condensadas e cistos na parede dos brônquios.
Figura 2 -Bronquiectasias com o sinal do "anel de sinete" (seta longa) e sinal do "trilho do trem" (seta curta).
Fonte: https://image.slidesharecdn.com/viasareas2-121023205239-phpapp02/95/vias-areas-2-6-638.jpg?cb=1351025722



Matéria escrita pelos ligantes Rafael Henrique Neves Gomes e Thiago Antônio Fontoura

segunda-feira, 15 de maio de 2017


Medicina Para Leigos: Nódulos de tireoide

            O câncer de tireoide é a quarta neoplasia maligna mais comum em mulheres no Brasil. Sendo a principal forma de apresentação os nódulos, ou “caroços”.
            Mas antes de falar disso, vale lembrar o que a tireoide. A tireoide é uma glândula com cerca de 3cm em forma de borboleta que todos nós possuímos, localizada próximo a cartilagem tireoide na região anterior cervical, ou em português claro, está perto do “gogó” ou “pomo de Adão” na parte da frente do pescoço (vide imagem). Essa glândula controla a atividade do corpo, influenciando o sono, a pressão sanguínea, a concentração, bem como o metabolismo basal.



            Pois bem, após as devidas apresentações, podemos voltar aos caroços que surgem na glândula. Muitas vezes, palpando a glândula conseguimos sentir essas nodulações, conseguimos perceber essas alterações e com o seguimento adequado conseguimos diagnosticar um câncer que muitas vezes é curável.
            Se você já começou a palpar sua tireoide em casa e encontrou algum “carocinho”: Não criemos pânico. Isso não quer dizer que seja câncer. Mas sempre é necessária uma consulta com o médico para a avaliação adequada. Então, não deixe de procurar seu médico.


Matéria escrita pelo ligante José Ladislau Ramos Filho

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Sinal de Müller

 

No sinal clínico desta semana falaremos sobre cardiologia! Mais especificamente sobre a Insuficiência Aórtica, doença valvar caracterizada pelo fluxo retrógado de sangue, durante a diástole ventricular, da aorta para o ventrículo esquerdo cujas etiologias mais comuns são: anormalidades nos folhetos valvares que levam à incompetência da valva aórtica por si só ou por anormalidades na parte proximal da raiz da aorta.


 

Uma vez apresentada esta doença, falaremos um pouco sobre os sinais clínicos os quais são o nosso foco nesta postagem! Mais especificamente sobre o sinal de Müller! Que nada mais é que a presença de pulsação sistólicas visualizadas na úvula. Acredita-se que a origem deste sinal está vinculada à fisiopatologia da doença. Vamos entender! Conforme já mencionado, o que ocorre na Insuficiência Aórtica é um regurgitamento de um determinado volume de sangue ao ventrículo esquerdo ao fim da sístole e início da diástole, sobrecarregando-o. Diante disso, o ventrículo esquerdo necessita bombear um volume de ejeção total maior, isto é, o volume de sangue que vem do átrio esquerdo por si só acrescido pelo volume de sangue que retorna da aorta em virtude de uma incompetência valvar. Lembre-se que as valvas cardíacas possuem a função de impedir o fluxo retrógado quando estão fechadas. Devido à pressão de pulso ser proporcional ao volume de ejeção, bem como à elastância da aorta, o volume de ejeção elevado aumenta a pressão sistólica, o que explicaria o sinal de Müller.

 

Diante de um ventrículo esquerdo hiperdinâmico, ejetando um grande volume a pressões elevadas para a circulação sistêmica, a Insuficiência Aórtica pode gerar uma miríade de outros sinais, como: pulso de Corrigan (elevação abrupta e declínio rápido do pulso carotídeo – “dança das carótidas”), sinal de Musset (leves oscilações da cabeça para baixo e para frente), pulso de Quincke (pletora sistólica e branqueamento diastólico no leito ungueal quando se faz uma tração suave sobre a unha) e dentre outros. À ausculta cardíaca, pode-se auscultar o conhecido sopro de Austin-Flint, ruído mesodiastólico produzido pelo jato regurgitante que se lança sobre a valva mitral, causando sua vibração.

Gostou do sinal de Müller? Curta, compartilhe e marque os amigos para conhecê-lo e aprender um pouco mais de Insuficiência Aórtica também!


Referências

Goldman, L. Cecil Medicina, 24ª edição, Rio de Janeiro, Elsevier
Serrano, JRCV Tratado de Cardiologia SOCESP, 2º edição, São Paulo, Manole.



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Síndrome do Túnel do Carpo


A síndrome do túnel do carpo (STC) resulta da compressão do nervo mediano no túnel do carpo, sendo a neuropatia mais comum da extremidade superior. A compressão da STC é causada pela diferença entre a capacidade rígida do canal e o volume de seu conteúdo. O volume do conteúdo e a capacidade do canal variam com a posição do punho em relação ao eixo do antebraço, assim os sintomas resultantes tendem a flutuar. O exame físico do paciente com suspeita de STC inclui dois sinais: Tínel e Phalen. O sinal de Tínel é pesquisado com a percussão do punho, sendo positivo com dor ou formigamento no polegar e no indicador ou entre os dedos médios. O sinal de Phalen é pesquisado com a flexão a 90° do punho forçando o dorso das mãos um contra o outro; se os sintomas forem reproduzidos em 60 segundos, é considerado positivo. O diagnóstico por imagem é importante nos casos duvidosos e, especialmente, nos sintomas recorrentes ou não aliviados após a liberação cirúrgica do túnel do carpo. Enquanto as radiografias simples e a tomografia computadorizada representam valor diagnóstico limitado, exceto pela avaliação da estenose óssea do carpo e calcificações de partes moles, a ultrassonografia e a ressonância magnética (RM) permitem a visualização direta da compressão do nervo mediano e outras estruturas de partes moles do túnel do carpo. Deve-se, entretanto, lembrar que o diagnóstico da STC é eminentemente clínico, sendo o exame complementar de imagem apenas ocasionalmente solicitado. Quando o mesmo for negativo, não afasta definitivamente o diagnóstico.

USG mostrando Túnel do Carpo normal à esquerda e aumentado à direita.

RNM plano axial, T1 SE. Túnel do Carpo proximal normal.

Matéria escrita pela ligante Bárbara Vilela


Referência:
Turrini, e., Rosenfeld, a., Juliano, y., Fernandes, a.r.c., Natour, j. Diagnóstico por Imagem do Punho na Síndrome do Túnel do Carpo. Rev Bras Reumatol, v. 45, n. 2, p. 81-3, mar./abr., 2005.