quinta-feira, 28 de julho de 2016

CISTITE


Conceito
A cistite é a infecção do trato urinário inferior, acometendo a bexiga. Refere-se à presença de micro-organismos (geralmente bactérias) na bexiga, gerando sintomas incômodos no paciente.



Fisiopatologia

A fisiopatologia da cistite pode ser descrita como um desequilíbrio entre a virulência bacteriana e as defesas naturais do organismo, o que leva ao processo inflamatório e infeccioso. É mais comum em mulheres, já que os homens apresentam proteção anatômica (maior tamanho de uretra, o que dificulta do curso ascendente, flúido prostático, proteção da próstata por compressão). No entanto, quando presente em homens pode ser classificada como complicada.


Agentes etiológicos

Os agentes etiológicos mais frequentes são: a Escherichia coli, o Staphylococcussaprophyticus, espécies de Proteus e de Klebsiella e oEnterococcusfaecalis. A E. coli, sozinha, responsabiliza-se por 70% a 85% .


Sintomas


Sintomas clássicos são:
Disúria Dor à micção
PolaciúriaAumento das vezes de ida ao banheiro com diminuição do volume

Urgência miccionalvontade urgente de micção

E eventualmente dor supra púbica (referida por muitos pacientes como dor no “pé da barriga”) . Pode haver hematúria (sangue na urina), urina turva e odor fétido.

Diagnóstico 

A cistite aguda possui uma clínica muito clara e sugestiva, por isso a parte mais importante do seu diagnostico é a história dos sinais e sintomas e o exame físico. Na maioria dos casos em mulheres adultas o exame clínico pode autorizar o início do tratamento sem a necessidade de coleta de exames complementares. Entretanto, caso seja necessário o médico poderá solicitar alguns exames como EAS (exame de sedimentos anormais) ou até mesmo uma urocultura com antibiograma para conhecer o agente etológico e orientar o tratamento nos casos mais complicados. O EAS mostra leucocitúria ou piúria em 94% das cistites, mais de 10 leucócitos por campo de grande aumento ou oito piócitos por milímetro cúbico de urina. Para a realização desses exames utiliza-se a urina, sendo muito importante uma coleta eficiente do material para evitar contaminação e assim interferência no exame (Veja na imagem abaixo como fazer). Exames de imagem como o ultrassom, por exemplo, não são indicados.








Tratamento 

Medidas gerais como boa hidratação e esvaziamento adequado da bexiga são a principal orientação e analgésicos podem ser utilizados para o alívio da dor e dos sintomas irritativos.O tratamento das cistites infecciosas requer o uso de antibióticos que será prescrito com base na avaliação do médico em relação a história da doença, sexo do paciente, etc. Geralmente os medicamentos mais utilizados são ciprofloxacino, norfloxacino e sulfametoxazol + TMP. Especialmente nas mulheres, as recidivas podem ser freqüentes e mais graves, mas, se o tratamento for seguido à risca, a probabilidade de cura é grande. Por isso, é preciso TOMAR OS MEDICAMENTOS RESPEITANDO O TEMPO RECOMENDADO pelo médico mesmo que os sintomas tenham desaparecido com as primeiras doses.


Prevenção 



* Beba muita água. O líquido ajuda a limpar as vias urinárias;

* Urine com freqüência. Reter a urina na bexiga por longos períodos é uma contra-indicação importante. Urinar depois das relações sexuais favorece a eliminação das bactérias que se encontram no trato urinário;

* Redobre os cuidados com a higiene pessoal. Mantenha limpa a região da vagina e do ânus. Depois de evacuar, passe o papel higiênico de frente para trás e, sempre que possível, lave-se com água e sabão;

* Evite roupas íntimas muito justas ou que retenham calor e umidade, porque facilitam a proliferação das bactérias;

* Suspenda o consumo de fumo, álcool, temperos fortes e cafeína. Essas substâncias irritam o trato urinário;


* Troque os absorventes higiênicos com frequência para evitar o proliferação bacteriana.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Hoje vamos falar de um tema delicado, mas de extrema importância para a saúde pública: DSTs e corrimento vaginal


Você sabe o que são DSTs?

DSTs ( Doenças sexualmente transmissíveis) são um grupo de doenças que podem ser transmitidas durante o ato sexual, seja por contato cutâneo direto, seja por secreções vaginais ou pelo sêmem. Devido a essa forma de transmissão elas são tema relevante de saúde pública, pois tem uma fácil disseminação, que é, entretanto, facilmente interrompida com cuidados sexuais durante o ato, como, por exemplo, o uso de preservativos (a famosa camisinha).

Quais são as principais DSTs?

As principais e mais famosas DSTs são a AIDS (transmitida pelo HIV), a sífilis, a gonorréia, a tricomoníase,entre outras, sendo que muitas dessas doenças podem alterar o corrimento vaginal.

Você sabe o que é corrimento vaginal?

Corrimento vaginal é uma secreção normalmente secretada na vagina da mulher (pelas glândulas de Bartholin e pelo colo do útero) com a função de lubrificar o canal vaginal. O corrimento normal é um líquido mucoso transparente ou branco podendo ser homogêneo ou grumoso, pois isso dependerá da fase do ciclo menstrual em que a mulher estará. Dependendo da mulher e da fase do ciclo menstrual, a quantidade de corrimento pode ser maior ou menor, e ele, geralmente, é inodoro ou tem pouco odor.

A alteração do corrimento vaginal é um grande sinal de que possa estar ocorrendo um processo patológico no canal vaginal da mulher, decorrente de uma infecção ou de um desequilíbrio dos microorganismos que já estão presentes no canal vaginal.

Como esse corrimento pode se alterar e quais doenças ele pode sugerir?

O corrimento pode-se alterar de diversas formas, o que pode sugerir diversas doenças, podendo ser DST ou não.Listaremos as três principais:
Corrimento aumentado, cinza ou branco, fino, com odor fétido de peixe sentido principalmente após o ato sexual, com pequenas bolhas e grudado na parede da vagina, mas saindo com facilidade pode ser sinal de VAGINOSE BACTERIANA, que não é uma DST.
Corrimento espumoso, profuso e amarelo-esverdeado além de eritema (vermelhidão, rubor) vaginal sugere: TRICOMONÍASE
Corrimento em pequena quantidade, aspecto de leite “talhado”, aparência de espesso a aquoso, de cor branca a amarelado e ausência de odores, além de prurido vaginal, dispareunia (dor durante o ato sexual), irritação vaginal e disúria (incômodo ao urinar) fala a favor de: CANDIDÍASE. A candidíase não é considerada uma doença sexualmente transmissível, no entanto pode ser transmitida através de relações sexuais.
É importante lembrar que o diagnóstico não se baseia apenas na alteração do corrimento, que é apenas um fator diagnóstico, pois pH vaginal, alterações vaginais, análise microbiológica do corrimento também são fatores importantes no processo de diagnóstico dessas doenças.


O que fazer se perceber uma alteração de corrimento vaginal?

Procure o médico clínico geral ou ginecologista o mais rápido possível e não use medicação sem prescrição médica! Se tiver relações sexuais, utilize preservativos para evitar a transmissão de uma possível doença ao seu parceiro.



Referência: 

Ginecologia Ambulatorial Baseada em Evidências Científicas, 2ª ed. Cap. 42, Aroldo Camargos, Victor Hugo de Melo, Márcia Mendonça Carneiro, Fernando Marcos dos Reis





quarta-feira, 6 de julho de 2016

O QUE É "DERRAME"?

O popular “derrame” na verdade é conhecido como AVE (acidente vascular encefálico) pelos médicos e profissionais de saúde, trata-se de um evento que pode ocorrer devido sangramento/hemorragia ou falta de sangue no cérebro ou tronco cerebral, estruturas que encontram-se dentro de nosso crânio.

O AVE trata-se da principal causa de morte no Brasil e no mundo desponta-se como a terceira maior causa, isso não significa que todas as pessoas que tiverem um AVE morrerão devido ao acidente, pois é possível que elas sobrevivam mais apresentem sequelas decorrentes do AVE como perda de força nos membros, paralisias na face e dificuldades de fala. Geralmente pessoas que sofrem um AVE podem passar por um mal súbito, perda de consciência, distúrbios da linguagem, perda de força, vômitos, náuseas, dificuldades visuais e também podem ter dor de cabeça.Se estiver perto de alguém com essas queixas é possível você ajudar e identificar o quadro basta pedir e realizar as seguintes ações com a pessoa:
Porém só saber identificar e como proceder no caso de um AVE não é suficiente, apesar de ser importante, é necessário também saber como evitar que isso aconteça conosco e com nossos familiares. Para prevenir precisamos evitar fatores de risco como: hipertensão, diabetes, fumo, hiperlipidemias, sedentarismo e álcool.



No que diz respeito ao tratamento deve-se ressaltar que quanto mais rapidamente o paciente for conduzido ao hospital após início dos sintomas maior será a chance de se obter sucesso e impedir possíveis sequelas e até mesmo a morte. Geralmente no hospital o paciente será diagnosticado, estabilizado e se for o caso poderá receber medicamentos ou até mesmo ser conduzido para uma cirurgia.



Leitura complementar: 

Santos, Adrialdo José, et al. "Acidente vascular cerebral isquêmico após quimioterapia com cisplatina, etoposide e bleomicina Relato de caso." ArqNeuropsiquiatr 61.1 (2003): 129-133.

GOLDMAN, Lee. Cecil Medicina/Lee Gldman, Denis. Ausielo. Medicina Interna [tradução Adriana PitelaSudre, et al] 23ª edição. Rio Janeiro: Elsevier, 2009. Ministperio da Saúde, Manual de rotinas para atenção ao AVC, 2013. 

sábado, 2 de julho de 2016

O QUE É MICOSE? COMO SE PREVINIR?


Micoses são infecções causadas por fungos que atingem a pele, as unhas e os cabelos. Na verdade, alguns tipos de fungos vivem naturalmente em nosso corpo sem causar qualquer tipo de sintoma. No entanto, se eles começam a se reproduzir rapidamente podem causar doenças. Os fungos se alimentam da queratina presente em nossa pele, unhas e cabelos. Quando encontram condições favoráveis, como calor, umidade, baixa de imunidade ou uso de antibióticos sistêmicos por longo prazo, estes fungos podem se proliferar. Os tipo mais frequentes de micose são Ptiríase versicolor, as tineas e as onicomicoses.


A Ptríase versicolor, popularmente conhecida como “pano branco” é causada por fungos do gênero Malassezia, apresenta-se clinicamente como manchas brancas, descamativas, que podem estar agrupadas ou isoladas, e normalmente surgem na parte superior dos braços, tronco, pescoço e rosto, que raramente coçam. Ocasionalmente, podem se apresentar como manchas escuras ou avermelhadas. É mais comum em adolescentes e jovens, sendo que pessoas de pele oleosa estão mais suscetíveis a apresentar este tipo de micose. O tratamento pode ser feito com medicamentos tópicos ou orais. No entanto, esta micose pode voltar ao corpo por várias vezes.

Tineas são doenças causadas por um grupo de fungos que vive às custas da queratina da pele, pelos e unhas. Esses fungos podem ser encontrados em animais, no solo e até mesmo no homem. Manifestam-se como manchas vermelhas de superfície escamosa, crescimento de dentro para fora, com bordas bem delimitadas, apresentando pequenas bolhas e crostas e o principal sintoma é coçeira. Quando acomete os pés, a tinha pode ser chamada de “pé-de-atleta”, mas elas podem aparecem em qualquer lugar do corpo. Nas crianças, é comum que apareçam no couro cabeludo.


As onicomicoses são as micoses das unhas, tanto dos pés quanto das mãos. A unha se torna mais grossa e descolada, podendo haver mudanças em sua cor e forma. Geralmente começa como uma mancha de cor clara pequena. Conforme se espalha, a cor se altera e a unha torna-se mais espessa e mais frágil. Muitas vezes, é doloroso e recorrente.


A candidíase é a infecção causada pela candida que pode comprometer isoladamente ou conjuntamente a pele, mucosas e unhas. É um fungo oportunista, e dessa forma, existem situações que favorecem seu desenvolvimento, como baixa da imunidade, uso prolongado de antibióticos, diabetes e situação de umidade e calor. Pode se manisfestar de diversas formas, como placas esbranquiçadas na mucosa oral, comum em recém-nascidos (“sapinho”); lesões fissuradas no canto da boca (queilite angular) mais comum no idoso; placas vermelhas e fissuras localizadas nas dobras naturais (inframamária, axilar e inguinal), ou podem envolver a região genital feminina (vaginite) ou masculina (balanite), causando coceira, manchas vermelhas e secreção vaginal esbranquiçada. No tratamento da candidíase, deve-se sempre considerar os fatores predisponentes, tentando corrigi-los. Antifúngicos tópicos e sistêmicos devem ser empregados sob orientação médica.



O tratamento das micoses é variável. As tinhas tendem a ter tratamentos mais curtos e as onicomicoses mais prolongados. As micoses são tratadas com uma variedade de drogas antifúngicas. O tipo que você usa depende de onde a infecção está localizada e o quão grave ela é. Para infecções superficiais, você pode usar um creme antifúngico. Infecções mais graves, incluindo aquelas que afetam as unhas, podem exigir comprimidos orais ou injeções. Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. É importante não interromper o tratamento mesmo que os sintomas tenham terminado, pois o fungo das camadas mais profundas pode resistir.
Os hábitos higiênicos adequados são importantes na prevenção das micoses. Use somente o seu material de manicure. Seque-se sempre muito bem após o banho, principalmente as dobras, como as axilas, as virilhas e os dedos dos pés. Evite o contato prolongado com água e sabão. Evite andar descalço em locais que sempre estão úmidos, como vestiários, saunas, lava-pés de piscinas. Evite ficar com roupas molhadas por muito tempo. Não compartilhe toalhas, roupas, escovas de cabelo, bonés, eles são maneiras de transmitir doenças. Evite usar calçados fechados por longos períodos e opte pelos mais largos e ventilados. Evite roupas muito quentes e justas e também tecidos sintéticos, pois eles absorvem o calor e o suor e prejudicam a transpiração da pele.






Leitura Complementar:










terça-feira, 28 de junho de 2016

USO RACIONAL DO ANTIMICROBIANO

Desde os primórdios da sociedade, o homem busca a cura para diversas doenças, a fim de manter sua sobrevivência. A descoberta da penicilina, em 1928, por Alexander Fleming foi um marco importante para o combate a infecções, sendo descoberta acidentalmente por meio de uma amostra de Staphylococcus aureus que foi contaminada por esporos do fungo Penicilliumnotatum, que cresceram na placa gerando um halo de inibição de crescimento.



Ferreira, M. V. C., Paes, V. R., &Lichtenstein, A. (2008). Penicilina: oitenta anos. Revista de Medicina, 87(4), 272-276.



Após a descoberta e o desenvolvimento de outros antimicrobianos, foi possível estabelecer o tratamento de várias doenças que causavam incontáveis números de óbitos naquela época, como a tuberculose e sífilis.
No entanto, o uso indiscriminado de antibióticos para o tratamento de infecções para a qual estes não são recomendados, como doenças virais e autoimunes, levantou uma nova questão que se tornou mais grave nos últimos tempos: a resistência bacteriana a antibióticos.
O fenômeno da resistência bacteriana a antibióticos impõem limitações ao tratamento de diversas doenças causadas pela infecção bacteriana, representando grande perigo para a saúde pública. Pode-se entender este fenômeno como um desdobramento do princípio evolutivo dos seres vivos, sendo uma adaptação genética dos organismos a mudanças no meio ambiente. Dentre os principais mecanismos de resistência bacteriana, podemos destacar a destruição do antibiótico, efluxo contínuo do antibiótico e a modificação da estrutura-alvo.
Diante desse cenário, não é incomum o surgimento de cepas resistentes aos principais antibióticos utilizados para o tratamento de doenças consideradas comuns, como a faringoamigdalite estreptocócica. Em 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), registrou quase 10 mil casos de bactérias resistentes a antimicrobianos nas UTIs dos hospitais brasileiros. A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou em maio de 2014 o primeiro relatório global sobre a resistência bacteriana - Global Strategy for ContainmentofAntimicrobialResistance. Segundo conclusão da OMS a resistência a antibióticos é uma "ameaça global" à saúde pública.
Dessa forma, é necessário a adoção de medidas para conter o avanço da resistência aos antibióticos, sendo para isso fundamental a participação dos médicos, dos farmacêuticos e sobretudo da comunidade.
O papel do médico consiste em estabelecer o diagnóstico correto, diferenciando as demais infecções de uma infecção bacteriana, preferencialmente com identificação do agente causal. A partir daí,o médico deve escolher o antibiótico considerando a sensibilidade do micro-organismo ao fármaco e a posologia adequada, incluindo doses, intervalo entre as ministrações e duração do tratamento, transmitindo todas essas informações ao paciente e esclarecendo eventuais dúvidas.
O farmacêutico, por sua vez, tem a função de avaliar as prescrições, propor o uso racional de medicamentos e prestar informação e orientação quanto ao uso desses. Ainda, devem cumprir as determinações da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n° 44/2010 aprovada pela ANVISA, que permite a venda de antibióticos apenas mediante apresentação de receita médica em duas vias, válidas por 10 dias após a data da emissão, ficando uma via obrigatoriamente retida na farmácia.
Diante disso, é importante que a comunidade seja estimulada a contribuir na fiscalização da venda irregular de antibióticos por farmácias e drogarias por meio de denúncias junto a ANVISA.
A população deve ainda ser informada sobre as possíveis consequências do uso indiscriminado de antibióticos, que incluem além da seleção de cepas de bactérias resistentes, maior incidência de efeitos colaterais. Dentre os efeitos adversos mais observados estão: interação com outros medicamentos como anticoncepcionais, reações alérgicas, náuseas, vômitos e diarreia. 
O combate ao avanço da resistência bacteriana deve ser interesse de todos, e exige a implementação de políticas de conscientização com participação ativa dos profissionais de saúde e da comunidade. 




Cultura de Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase, uma“superbactéria” identificada pela primeira vez nos Estados Unidos, em 2000.
http://drauziovarella.com.br/letras/k/infeccao-hospitalar/ 



Leitura Complementar e referências 


SILVEIRA, Gustavo Pozza et al. Estratégias utilizadas no combate a resistência bacteriana. Química Nova, v. 29, n. 4, p. 844, 2006.
Ferreira, M. V. C., Paes, V. R., &Lichtenstein, A. (2008). Penicilina: oitenta anos. Revista de Medicina, 87(4), 272-276.
Barbosa, Luciana Araújo; Latini, Ricardo Oliveira. RESISTÊNCIA BACTERIANA DECORRENTE DO USO ABUSIVO DE ANTIBIÓTICOS: informações relevantes para elaboração de programas educativos voltados para profissionais da saúde e para a comunidade.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

SÍFILIS
A sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Treponema pallidum.Uma doença infectocontagiosa crônica que convive com a humanidade há bons séculos, sendo bem notório sua presença no século XV associada aos sonhos expansionistas europeus.
Pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada através da penetração da bactéria em microscópicas feriadas ou abrasões na mucosa da vagina ou pênis.A transmissão congênitaé aquela adquirida pelo feto quando a mãe se encontra contaminada pelo Treponema pallidum durante a gestação. A sífilis na grávida pode causar aborto, parto prematuro, má formações e morte fetal.
Outras formas de transmissão mais raras são por via indireta(objetos contaminados, tatuagem) e por transfusãosanguínea.
Em relação a propagação e possíveis sinais/sintomas a sífilis se divide em: primária, secundária, terciária e latente assintomática.Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior.
Na sífilis primária apresenta-se uma ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio.Não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.Nas mulheres esta lesão pode passar despercebida, uma vez que é pequena (em média 1 cm de diâmetro), indolor e costuma ficar escondida entre os pelos pubianos ou dentro da vagina.
Na sífilis secundária os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento da ferida inicial e após a cicatrização espontânea.Surgem manchas no corpo, principalmente, nas palmas das mãos e plantas dos pés. Não coçam, mas podem surgir ínguas no corpo.A sintomatologia geral é discreta e incaracterística: mal-estar, astenia, anorexia, febre baixa, cefaléia, meningismo, artralgias, mialgias, periostite, faringite, rouquidão, hepatoesplenomegalia, síndrome nefrótica, glomerulonefrite, neurite do auditivo, iridociclite.
Já a Sífilis terciária pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção.Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.
A fase latente não há sintomas, mas os testes laboratoriais para sífilis são positivos. A fase latente é dividida em latente precoce, quando a contaminação pelo Treponema pallidum ocorreu há menos de 1 ano, ou latente tardia, nos casos de infecção há mais de um ano.
O teste rápido (TR) de sífilis está disponível nos serviços de saúde do SUS, sendo prático e de fácil execução para o diagnóstico da doença.É um teste de uso único para detecção de anticorpos específicos para Treponema pallidum. Pode ser realizado com amostra de sangue total, soro ou plasma. Além desse teste podem ser feitos outros exames de sorologia como: VDRL, RPR, FTA-abs, MHA-Tp, ELISA. 
O tratamento de escolha é a penicilina benzatina, sendo necessário procurar um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequado, dependendo de cada estágio.
O uso correto e regular da camisinha masculina ou feminina é uma medida importante de prevenção da sífilis. O acompanhamento da gestante durante o pré-natal contribui para o controle da sífilis congênita.



Curiosidade:


Mercúrio, arsênico, bismuto e iodetos foraminicialmente usados na tentativa de tratar a sífilis, masmostraram baixa eficácia, toxidade e dificuldadesoperacionais. Também mostraram pouca eficácia tratamentosque, inspirados na pouca resistência do T.Palllidumao calor, preconizavam o aumento da temperaturacorporal por meios físicos como banhosquentes de vapor ou com a inoculação de plasmódiosna circulação (malarioterapia).


O melhor remédio para sífilis é a prevenção. Caso você tenha sífilis nada de mercúrio ou banhos quentes, o tratamento é simples com a penicilina!

Referências e leitura complementar:
Avelleira JCR, Bottino G. Sífilis: Diagnóstico, tratamento e controleAnBrasDermatol. 2006;81(2):111-26.
· http://www.aids.gov.br/pagina/sifilis consultado 12/06/2016

domingo, 12 de junho de 2016

CÂNCER DE PRÓSTATA
A próstata é um órgão que faz parte do aparelho reprodutor masculino e sua principal função é produzir parte do líquido que forma o sêmen ou “esperma’’, é uma glândula que só os homens têm. Fica logo abaixo da bexiga,na frente do reto, o canal que transporta urina,chama uretra, passa através dela. O tamanho da próstata varia com a idade,em homens mais jovens tem aproximadamente o tamanho de uma noz, mas pode ser muito maior em homens mais velhos. O câncer da próstata é uma consequência da transformação das células dos ácinos, que passam a se proliferarem de forma anormal e ganham a capacidade de invadir o órgão e até, em alguns casos, circular pelo corpo e produzir tumores em outras partes do corpo (chamado de metástase).
O principal fator de risco para o câncer da próstata é a idade. Quanto mais velha é a pessoa, maior a chance de desenvolver a doença. História familiar em parentes de primeiro grau também aumentam a chance de desenvolver a doença. Como são fatores que não podem ser mudados ou evitados, o importante é sempre estar atento aos sinais que o corpo pode dar e consultar o médico em caso de sintomas e/ou dúvidas. Os afrodescentes constituem um grupo de maior risco para desenvolver a doença. Outros fatores de risco têm sido pesquisados, mas ainda não é possível afirmar com certeza que eles estão associados ao câncer da próstata.
O câncer de próstata em estágio inicial geralmente não causa sintomas, enquanto em estágio avançado pode causar alguns, por exemplo:
-Fluxo urinário fraco ou interrompido.
-Vontade de urinar frequentemente à noite.
-dificuldade para urinar
 -sensação de não conseguir esvaziar completamente a bexiga
-Demora para sair a urina
-dificuldade de  segurar a urina até ir ao banheiro
O câncer de próstata pode ser diagnosticado por meio de exame físico (toque retal) e laboratorial (dosagem do PSA,que  é uma substância produzida pelas células da glândula prostática). Caso sejam constatados aumento da glândula ou PSA alterado, deve ser realizada uma biópsia para averiguar a presença de um tumor e se ele é maligno. Como a próstata fica logo na frente do reto, o exame permite que o médico sinta se há nódulos ou tecidos endurecidos, indicativos da existência de câncer, provavelmente em estágio inicial.
O tratamento depende  da idade do paciente,do quanto a doença penetrou na próstata e se há metástase ou não. Depende também da agressividade da doença, que é medida por uma escala chamada “Gleason” e do valor do PSA no sangue. Quando a doença está apenas na próstata, o tratamento é feito com a cirurgia de retirada da próstata ou através da radioterapia, associada muitas vezes a uma injeção para bloquear a produção dos hormônios masculinos. Entretanto, quando a doença invade os órgãos em volta da próstata ou quando já se apresenta com metástases, a cura não é mais possível e o objetivo do tratamento passa a ser frear o avanço da doença. Para isso, o tratamento deve ser inicialmente com o bloqueio da produção dos hormônios masculinos, e futuramente com a quimioterapia ou novas drogas que inibem a produção dos hormônios de forma mais potente.

A melhor forma de prevenir a doença é manter hábitos de vida saudável e “ouvir” o próprio corpo, comunicando o seu médico as alterações no funcionamento do seu organismo. Homens devem começar a fazer os exames preventivos aos 50 anos. Afrodescendentes ou homens com parentes de primeiro grau portadores de câncer de próstata antes dos 65 anos apresentam risco mais elevado de desenvolver a doença, portanto, devem começar a fazer os exames aos 45 anos.