sexta-feira, 28 de outubro de 2016

INSÔNIA 

A insônia é a dificuldade de iniciar ou manter o sono ou insatisfação com a qualidade do sono e que pode interferir no desempenho das atividades sociais e cognitivas. Alguns sintomas são encontrados, como: alterações cognitivas; fadiga durante o dia; menor produtividade seja no trabalho ou nas atividades diárias de modo geral; desocupação e ausência, principalmente quando relacionado ao trabalho; distúrbios de humor; ansiedade; relações familiares e sociais prejudicadas; e acidentes no trabalho. Esses sintomas devem ocorrer pelo menos três vezes por semana por um período mínimo de um mês e estarem associados com sofrimento importante e/ou com prejuízo no funcionamento social e ocupacional do indivíduo.

A hipervigilância é fisiologicamente manifestada em pacientes com insônia por uma taxa metabólica corporal aumentada, por elevações no nível de cortisol e pelo aumento do consumo de glicose cerebral.

A insônia consiste em uma das queixas mais comuns de distúrbio do sono e sua prevalência é de 10 a 40% na população em geral. A prevalência das queixas aumenta com a idade e é maior entre mulheres, divorciados, viúvos e indivíduos com baixo nível socioeconômico e educacional. Os adultos jovens queixam-se com maior frequência de dificuldades para conciliar o sono, ao passo que os indivíduos de meia-idade e os idosos estão mais propensos a apresentarem dificuldades com a manutenção do sono e despertares precoces nas primeiras horas da manhã.

Há algumas comorbidades associadas com a insônia, como: Síndrome da má adaptação em turnos (que consiste no trabalho realizado em horários diferentes dos habituais, que possui interferência na sobrecarga física, emocional e psicológica, estresse, doenças ocupacionais e sono); Distúrbios psiquiátricos (transtorno de ansiedade, depressão, agorofobia e fobia social); Distúrbios do sono (síndrome das pernas inquietas, apneia do sono, distúrbio do ritmo circaidiano e etc); e Problemas de saúde em geral. 

Deve­-se questionar os pensamentos e comportamentos da pessoa. Em relação às horas antes de deitar, enquanto na cama tentando dormir e circunstâncias do despertar noturno. Realizar um diário do sono, documentando o ato de deitar diário, número de despertares durante a noite e vigília é uma estratégia recomendada. Durante um período de 2 a 4 semanas pode-­se identificar se o indivíduo passa um tempo excessivo na cama, se esse período é irregular e os padrões de sono.

A polissonografia não é indicada na avaliação de rotina da insônia, pois o diagnóstico é feito clinicamente, exceto na suspeita de apneia do sono, de distúrbio de movimentos periódicos dos membros ou de parassonias prejudiciais. Nos indivíduos em quem as abordagens habituais para manejo e controle da insônia não tiverem sucesso pode-­se considerar a realização de polissonografia. 

Existem diversas classificações e definições para insônia, dentre elas a mais utilizada pelos profissionais da Medicina do Sono é a classificação da International Classification of Sleep Disorders (ICSD). Esta caracteriza a insônia levando em consideração três critérios. Sendo que uma dessas características deve estar presente para o diagnóstico de transtorno de insônia.

1) Queixa de dificuldade para iniciar ou manter o sono, despertar precoce ou sono cronicamente não restaurador e de qualidade ruim.

2) Os sintomas citados no primeiro critério acontecem apesar de existirem condições adequadas para o sono.

3) Presença de algumas queixas que estão relacionadas às dificuldades do sono, como: fadiga; déficit de atenção; concentração e memória; disfunção sexual, profissional e acadêmica; irritabilidade; sonolência excessiva diurna; falta de motivação e energia; propensão a erros, acidentes no trabalho ou na condução de veículos; cefaleias; tensão e sintomas gastrointestinais; e preocupação com o sono; 

A insônia pode ser classificada ainda como aguda (i.e., por menos de 2-3 semanas) ou crônica (i.e., que ocorre várias vezes por ano por pelo menos 2 anos, tendo cada episódio duração mínima de 3 dias). A insônia aguda é geralmente causada por um fator identificável, ao passo que a causa da insônia crônica é, em geral, mais complexa e sua investigação exige uma abordagem clínica sistematizada.

Além disso, a insônia pode ser classificada como leve, moderada ou grave de acordo com a intensidade sintomatológica e com o prejuízo psicossocial a ela associados. A insônia também pode ser descrita como primária ou como secundária. Por definição, a insônia primária não ocorre durante o curso de outro transtorno do sono ou de outro transtorno mental, nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral. A insônia secundária, por sua vez, é causada por um algum fator identificável (geralmente uma condição médica ou psicológica) e apresenta uma prevalência significativamente maior do que a da insônia primária. 

O tratamento da insônia primária inclui: higiene adequada do sono (evitar comportamentos e/ou aliviar condições incompatíveis com o sono reparador e a estabelecer um hábito regular de sono), terapia cognitiva e de conduta e uso de fármacos hipnóticos. Entre esses últimos, se destacam o zolpidem e a zopiclona, que melhoram significativamente o sono sem alterar sua estrutura ou induzir a uma reincidência da insônia logo após uma interrupção brusca. Além disso, o desenvolvimento de fármaco-dependência e de vício é muito pouco freqüente.

No tratamento da insônia secundária é necessária uma intervenção que atue na condição médica ou psicológica que a mantém. O tratamento medicamentoso é norteado pela condição primária apresentada pelo paciente. No caso do paciente apresentar um transtorno depressivo ou ansioso, a primeira escolha reside em um fármaco antidepressivo. Se o quadro for de psicose podem ser utilizados antipsicóticos com características sedativas. Os pacientes que apresentam insônia situacional auto-limitada (e.g., antes de um procedimento cirúrgico ou de uma viagem intercontinental), podem utilizar um benzodiazepínico hipnótico ou um fármaco não-benzodiazepínico a curto-prazo. Quando o paciente não responde a essas medicações, o uso de agonistas do receptor benzodiazepínico está indicado.

Ligantes Caio Sena e Renata Germini. 

RERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1) Berlim MT, Lobato MI, Manfro GG. Diretrizes e algoritmo para o manejo da insônia. In: Cordiol AV, colaboradores. Psicofármacos: consulta rápida 4 [internet]. Porto Alegre; 2005. Acesso em 25/10/2016. Disponível em: http://www.ufrgs.br/psiquiatria/psiq/Diretrizes%20para%20Insonia%20final.pdf

2) Kubota AMA et al. Aspectos da insônia no adulto e a relação. Rev Ter OcupUniv São Paulo. 2014 maio/ago.;25(2):119-25. Acesso em 25/10/16. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rto/article/view/64660/88127.

sábado, 22 de outubro de 2016

ASMA  

  

SINTOMAS E GATILHOS 

Conhece alguém que tenha falta de ar, tosse crônica, chiado no peito, ou sente dificuldade para respirar principalmente à noite ou pela manhã?! Essa pessoa pode ter asma! 
Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. O pulmão do asmático é diferente de um pulmão saudável, como se os brônquios dele fossem mais sensíveis e inflamados - reagindo ao menor sinal de irritação.Os sintomas podem aparecer e desaparecer espontaneamente ou com tratamento. Quase sempre estão associados ao contato com agentes irritantes, chamados de “gatilhos”. São exemplos de gatilhos: poeira doméstica, mofo, pêlos de animais, grãos de pólen, ácaros, fumaça de cigarro, perfume, entre outros. Além desses, outros fatores também podem provocar sintomas, como frio intenso, exercício físico, resfriado, gripe e até alterações emocionais e o choro… se identificou?! Calma! Vamos entender melhor a doença e como podemos tratá-la… 

MECANISMO DA ASMA 

O mecanismo causador da doença envolve uma resposta exagerada das vias aéreas inferiores (da laringe até os pulmões) aos agentes irritantes. Entenda que não são todas as pessoas que têm essa resposta exagerada, que depende de uma predisposição genética associada a um fator ambiental… 
Então, o que ocorre com os asmáticos em contato com esses gatilhos? 
Na tentativa de impedir a passagem desses agentes, o organismo tenta se defender de algumas formas: 

● Quando estes chegam aos brônquios - ‘tubos’ que conduzem o ar até os pulmões - a musculatura lisa se contrai para impedir sua passagem. 

● Simultaneamente, células de defesa do organismo migram a fim de neutralizar o agente considerado como agressor. 

Mas isso seria bom, certo!? Como já foi dito, essa resposta é exagerada…acumulam-se mediadores inflamatórios e anticorpos que agridem estes agentes, mas agridem também a mucosa que reveste os brônquios. Assim sendo, há um estreitamento do tubo condutor de ar pela contração muscular e aumento da espessura pela reação inflamatória cronificada. 
Isso altera a função dos cílios que existem nesse tubo, o que é um grande problema! A produção de muco (o “catarro”) está aumentada, e os cílios seriam essenciais para sua eliminação. Ou seja, o catarro vai se acumular nas vias aéreas. 
Este estado de hiperreatividade culmina com o fechamento dos brônquios dificultando muito a passagem de ar, causa o chiado, a sensação de respiração pesada e tosse ainda na tentativa do organismo de eliminar o excesso de muco.


TRATAMENTO 

O tratamento da asma conta com a sua parte e a do seu médico! Você precisa tomar certos cuidados, além de seguir à risca o que médico irá receitar. ATENÇÃO: Tratar da asma persistente requer paciência e dedicação! Nunca interrompa, nem altere o tratamento por conta própria! 

Mesmo depois que conseguir controlar os sintomas, é preciso manter a medicação por um período aproximado de 03 a 06 meses, só então o médico irá aos poucos diminuir as doses. 

Os remédios para asma são divididos em basicamente dois tipos: 

1) medicamentos para dilatar os brônquios e melhorar os sintomas durante as crises. Esses remédios podem ser:
A) de curta duração, com ação que dura de 04 a 06 horas. 
B) de longa duração, com efeitos de até 12 horas. 

2) medicações usados na manutenção do tratamento e na prevenção dos sintomas. São drogas com propriedades anti-inflamatórias introduzidas precocemente nos casos de asma persistente para preservar a função pulmonar. 
Se a asma for persistente, peça ao seu médico um plano escrito com as medidas que você deve tomar em caso de crise ;)

 CRISE DE ASMA

Os sintomas típicos da crise asmática são sensação de asfixia ou falta de ar, tosse seca, ‘chiados’, sensação de peso no peito.
Fique atento a alguns sinais e sintomas que servem de alerta e te indicam maior gravidade da crise: 

● Temperatura axilar maior que 37ºC;

● Frequência cardíaca alterada;

● Queda da pressão arterial;

● Incapacidade de ler uma frase inteira com uma única inspiração de ar;

● Respiração superficial e silenciosa;

● Cianose (coloração azulada das extremidades);

● Exaustão;

● Confusão mental. 

NÃO PERCA TEMPO, PRONTO SOCORRO OU ASSISTÊNCIA MÉDICA IMEDIATAMENTE! 

CONVIVENDO COM A ASMA 

A asma é uma doença que não apresenta cura, porém pode ser controlada de modo que permita uma vida normal. Medidas básicas precisam ser tomadas, tais como:

● Reconhecer os fatores que causam as crises e evitá-los;

● Retirar cortinas e tapetes que acumulam poeira;

● Evitar vassouras e espanadores - aconselha-se que a limpeza da casa seja feita com pano úmido;

● Expor travesseiros, roupas de cama e colchões ao sol para evitar o crescimento de fungos e ácaros;

● Evitar contato com animais de estimação como cães e gatos;

● Evitar usar perfumes, produtos de limpeza, fumaça e roupas ou livros mofados;

● Beber muita água, para fluidificar secreções e facilitar a sua eliminação;

● Realizar exercícios que estimulam a musculatura respiratória, como a natação;

● Controlar a ansiedade, pois esta agrava a falta de ar nas crises;

● NÃO FUMAR - estudos comprovam que pacientes asmáticos são muito mais propensos a desenvolver outras doenças pulmonares quando são tabagistas

 DIFERENÇAS ENTRE ASMA E BRONQUITE

Mas isso aí está muito parecido com aquela tal de bronquite né?! Ambas as doenças apresentam sintomas semelhantes, como tosse, chiado e broncoconstrição. 
As crises de asma surgem e desaparecem, apenas aqueles com asma moderada ou grave que apresentam sintomas contínuos. Ao passo que na bronquite, a tosse possui um caráter contínuo, produtivo, secretivo e permanece por um período superior a três meses por mais de dois anos consecutivos. 
É importante sempre manter-se atento ao tipo de tosse, no motivo que desencadeou a tosse, há quanto tempo ela se iniciou, qual sua duração e quais outros sintomas estão associados.








domingo, 2 de outubro de 2016

CONVULSÕES 

    O que é convulsão? 
    A crise convulsiva ou convulsão é uma manifestação de um aumento excessivo e desordenado da atividade elétrica das células cerebrais, nesse caso os neurônios.
É importante esclarecer que o termo “convulsão” não é sinônimo de “epilepsia”. Epilepsia é uma doença específica, que predispõe a pessoa a convulsões, as quais podem ocorrer por diversas causas!

        Então o que pode causar uma convulsão? 

  • doenças, além da epilepsia podemos destacar: 
  • meningites, 
  • encefalites, 
  • tétano, 
  • tumores cerebrais, 
  • infecção pelo HIV.
  • febre alta em crianças com menos de cinco anos
  • Traumas cranianos; 
  • abstinência após uso prolongado de álcool e de outras drogas, ou efeito colateral de alguns medicamentos; 
  • distúrbios metabólicos, como: 
  • hipoglicemia, 
  • diabetes, 
  • insuficiência renal
  • Insolação;
  • Choque elétrico;
  • Perda excessiva de sangue;
  • falta de oxigenação no cérebro.


Emoções intensas, exercícios vigorosos, determinados ruídos, músicas, odores ou luzes fortes podem funcionar como gatilhos das crises.

Como reconhecer? 
As convulsões podem ser de dois tipos: 
parciais/focais: quando apenas uma parte do cérebro é atingida pela descarga de impulsos elétricos desorganizados, causa uma crise cujos sintomas dependem da área cerebral afetada; ou 
generalizadas: quando os dois hemisférios cerebrais são afetados. Nesse episódio pode ocorrer: 
• perda súbita de consciência, associada a movimentos desordenados, repetitivos e rápidos de todo o corpo. Além disto, podem estar acompanhada de aumento da salivação, ranger de dentes, perda do controle do processo urinário e defecação.
• na fase pós-convulsiva: sonolência, confusão mental, agitação, flacidez muscular e cefaleia, sinais de

O que fazer? 
A crise convulsiva não é um processo contagioso ou transmissível, sendo assim, não há qualquer risco para aquele que auxilia um indivíduo nesta condição.

Mantenha-se calmo e acalmar as pessoas ao seu redor;
Se possível, evite que a pessoa caia bruscamente ao chão;
Afaste objetos para evitar que a vítima se machuque ao se debater;
Utilize material macio para acomodar a cabeça do individuo, como travesseiro ou casaco dobrado;
Posicione o indivíduo de lado de forma a evitar aspiração com o excesso de saliva ou vômito (pode ocorrer em alguns casos);
Afrouxe um pouco as roupas para que a pessoa respire melhor;
Permaneça ao lado da vítima até que ela recupere a consciência;
Ao término da convulsão a pessoa poderá se sentir cansada e confusa, explique o que ocorreu e ofereça auxílio para chamar um familiar.
Muito importante marcar o tempo de duração da crise convulsiva!!! 
O estado de mal epiléptico é a ocorrência de crises epiléticas prolongadas (acima de 5 minutos) ou repetitivas, persistindo por 30 minutos ou, que não permitem a recuperação da consciência entre os eventos. 
Se estado de mal epilético, vítima gestante, dificuldade respira ou sinal de traumatismo, CHAME AJUDA: Ligue 192! 

O que não fazer? 
Não impeça os movimentos da vítima, apenas se certifique de que nada ao seu redor irá machucá-la;
Nunca tente puxar a língua da vítima, nem tente colocar algo dentro de sua boca;
Não jogue água no rosto da vítima;

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

LEISHMANIOSE

O que é a leishmaniose e como ela é transmitida?

A leishmaniose é uma doença causada pelo protozoário do gênero Leishmania, sendo transmitida pela picada do flebotomíneo, mais conhecido como mosquito-palha ou birigui. No Brasil, duas espécies estão relacionadas com a transmissão do protozoário, o Lutzomyia longipalpis e a lutzomyia cruzi. A infecção pode se limitar à pele ou mucosa, constituindo a leishmaniose tegumentar ou pode ser chamada de leishmaniose visceral quando invade o sistema reticuloendotelial, acomentendo outros órgãos e sistemas.
Em relação a Leishmaniose visceral, também conhecida como Calazar (“Kala” febre; “azar” negra; língua hindi) era conhecida pelo seu caráter eminentemente rural, no entanto, nos últimos anos, vem crescendo em áreas urbanas tornando-se uma preocupação para saúde pública.
Enquanto que na zona rural a raposa e os marsupiais são os principais reservatórios do protozoário, na área urbana a principal fonte de infecção é o cão, o que aumenta potencialmente a proximidade do homem com o parasito, uma vez que o cachorro compartilha diversos espaços peri e intradomiciliares com o homem. É importante frisar que não ocorre transmissão direta de pessoa a pessoa. 

A Leishmaniose visceral tem tratamento em seres humanos?

Apesar de grave, a doença tem tratamento e ele é gratuito, sendo disponível na rede de serviços do SUS. Três fármacos podem ser utilizados a depender da indicação médica: o antimoniato de N-metil glucamina (Glucantime®), a anfotericina B e a anfotericina B lipossomal.

Quando devo suspeitar de Leishmaniose em um cão?

Os cães quando contaminados podem apresentar alguns sinais como emagrecimento, feridas na pele (principalmente no focinho), perda de pelos, crescimento anormal das unhas, aumento abdominal, fraqueza, sonolência, diarreia, vômito e sangramento intestinal.
O diagnóstico clínico da LVC é difícil de ser determinado devido a grande porcentagem de cães assintomáticos ou oligossintomáticos existentes. A doença apresenta semelhança com outras enfermidades infecto-contagiosas que acometem os cães, permitindo que o diagnóstico clínico seja possível quando o animal apresenta sinais clínicos comuns à doença, como descrito anteriormente, ou quando o animal se originar de regiões ou áreas de transmissão estabelecida. No entanto, em áreas cujo padrão socioeconômico é baixo, outros fatores podem estar associados dificultando o diagnóstico clínico, especialmente as dermatoses e a desnutrição, mascarando ou modificando o quadro clínico da leishmaniose visceral canina.



E para os cães existe tratamento eficaz?

O tratamento da Leishmaniose Visceral Canina pode até melhorar os sinais clínicos, porém não possibilita a cura parasitologica do animal. Portanto, ele continua sendo reservatório do parasito, sendo assim um risco para saúde da população humana e canina. Por essa razão a eutanásia é recomendada nos cães contaminados. 

Existem vacinas contra leishmaniose no Brasil? 

Atualmente existe uma vacina antileishmaniose visceral canina em comercialização no Brasil. Seu uso está restrito à proteção individual dos cães e está indicada somente para animais assintomáticos com resultados sorológicos não reagentes para leishmanioses visceral. Os animais que apresentarem sinais clínicos compatíveis com LVC e/ou reações sorológicas reagentes estarão passíveis das medidas sanitárias vigentes.

Como previnir a Leishmaniose?

Existem formas de prevenir a infecção tanto no cão quanto no homem. Para tanto é fundamental a limpeza de quintais através da retirada de matéria orgânica (folhas, troncos, restos de vegetação), lixo, limpeza periódica dos abrigos de animais domésticos e, se possível, manter os abrigos de animais afastados da casa. Deve-se também reduzir ou eliminar potenciais criadouros de insetos, além de instalar telas de malha fina em janelas e portas do domicílio.

REFERÊNCIAS: 


MINISTÉRIO DA SAÚDE, Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral- 1º edição; 2014



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

VITILIGO

O vitiligo é uma doença caracterizada pela perda da coloração da pele. As lesões formam-se devido à diminuição ou ausência de melanócitos (as células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados. As causas da doença ainda não estão claramente estabelecidas, mas fenômenos autoimunes parecem estar associados ao vitiligo. Além disso, alterações ou traumas emocionais podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença.
As lesões cutâneas são de hipopigmentação, ou seja, manchas brancas na pele com uma distribuição característica. O tamanho das manchas é variável.A maioria dos pacientes de vitiligo não manifesta qualquer sintoma além do surgimento de manchas brancas na pele. Entretanto, em alguns casos, os pacientes relatam sentir sensibilidade e dor na área afetada.
O vitiligo pode ter um acometimento focal, unilateral segmentar, vulgar ou universal, como mostra a imagem abaixo:


O diagnóstico do vitiligo é essencialmente clínico, pois as manchas hipopigmentadas têm geralmente localização e distribuição características. A biópsia cutânea revela a ausência completa de melanócitos nas zonas afetadas, exceto nos bordos da lesão, e o exame com lâmpada de Wood é fundamental nos pacientes de pele branca, para detecção das áreas de vitiligo.As análises sanguíneas deverão incluir um estudo imunológico que poderá revelar a presença de outras doenças autoimunes como o lupus eritematoso sistémico e da doença de Addison. O histórico familiar também é considerado. 
Em relação ao tratamento, a maior preocupação são os sintomas emocionais que os pacientes podem desenvolver em decorrência da doença. Por isso, em alguns casos, recomenda-se o acompanhamento psicológico.Entre as formas de tratamento da doença incluem-se tratamento medicamentoso com o uso de corticoides tópico ou oral, fotoquimioterapia, transplante de melanócitos, entre outros. É importante que o tratamento seja acompanhado por um dermatologista.
Basicamente existem dois objetivos ao tratar o paciente com vitiligo. Uma delas, a mais indicada, é restaurar os melanócitos "perdidos" com técnicas que estimulem os melanócitos locais e vizinhos; entretanto, isso nem sempre é possível. Assim, existe uma segunda linha de tratamento em que os melanócitos sadios são destruídos com a aplicação de um produto químico, o monobenzil éter de hidroquinona. Trata-se de uma técnica simples, mas que requer a utilização do produto por longos períodos. Esse último foi o tratamento utilizado por Michael Jackson.A principal indicação é para adultos com mais de 50% de superfície corporal acometida e, sobretudo, capazes de reconhecer que esse processo irá alterar bastante sua fisionomia e exigirá cuidados especiais com o sol por toda a vida.
Não existem formas de prevenção do vitiligo. Em pacientes com diagnóstico de vitiligo, deve-se evitar os fatores que possam precipitar o aparecimento de novas lesões ou acentuar as já existentes. Evitar o uso de vestuário apertado, ou que provoque atrito ou pressão sobre a pele, e diminuir a exposição solar. Controlar o estresse é outra medida importante.



Vitiligo. STEINER, Denise et al. An. Bras. Dermatol. [online]. 2004, vol.79, n.3, pp.335-351.Disponível em: http://www.scielo.br/scieloOrg/php/citedScielo.php?pid=S036505962004000300010&1ang=en












terça-feira, 9 de agosto de 2016

QUANDO DESCONFIAR E TER CERTEZA DE UMA GESTAÇÃO?

O diagnóstico de gravidez pode ser clínico, laboratorial e ultrassonográfico. O conhecimento popular acerca deste tema é bem prevalente, então queremos neste post não apenas citar mas também explicar o motivo pelo qual os sintomas ocorrem! Para isso, limitaremos a falar sobre o diagnóstico clinico!

Podemos o dividir basicamente em 4 tópicos. (Sintomas e sinais de presunção, Sinais de probabilidade e sinais de certeza).

1. Sintomas de presunção. Normalmente são as queixas iniciais mais frequentes da grávida. Seriam:

a. Náuseas:são ocasionadas pela adaptação materna ao hormônio produzido durante a gestação, a gonadotrofina coriônica humana.

b. Polaciúria (aumento do número de vezes que vai ao banheiro): com o crescimento uterino ocorre um compressão da bexiga, o que leva a uma menor capacidade em reter e acumular a urina. Com isso a gestante vai mais vezes ao banheiro, mas tendo um volume urinário menor (polaciúria).

c. Fadiga e sonolência: isso ocorre devido a uma vasodilatação,aumenta o volume de sangue que passa em alguns lugares do organismo materno, ocasionando uma redução do fluxo sanguíneo e estes sintomas.

d. Percepção da MÂE aos movimentos fetais. Se for a primeira gestação esses movimentos podem ser percebidos em torno da 20 semana. Agora em uma gestante que já teve gestações anteriores podem ser percebidos em torno da 16 semana.

2. Sinais de Presunção: São alterações que muitas vezes podem ser notadas e não apenas relatas pela gestante!

a. Atraso menstrual: normalmente este é o primeiro a ser notado! Ocorre devido a manutenção da Progesterona (tipo de hormônio)  pelo organismo evitando assim a descamação uterina e perda do bebê.

b. Modificação mamárias: as mamas ficam doloridas devido ao maior volume de sangue; escurecimento da região do mamilo; podem sair secreções que chamamos de colostro; o aumento da circulação das veias permite observar uma rede sob a pele transparente; os limites mamários podem ficar imprecisos.

c. Alterações do muco cervical (secreção): Com o aumento da progesterona irá ocorrer uma mudança no padrão de cristalização, alterando a aparência da secreção.

d. E por última as alterações cutâneas, que ocorrem devido a uma hiperpigmentação decorrente do aumento de melanina. São o cloasma gravídico, que aparece na região facial como manchas escurecidas e a linha nigra que aparece na região medial do abdome. 

3. Há ainda os Sinais de probabilidade, que são decorrentes das transformações da forma do corpo devido a gestação. E são encontrados durante o exame clínico ou no toque vaginal pelo médico!

4. Já os sinais de certeza são os mais fidedignos da gestação. São eles:

a. Ausculta dos batimentos fetais: É o mais utilizado, e gera grande ansiedade para a gestante. Então é sempre bom lembrar que pelo aparelho (Sonar Doppler) os batimentos serão ouvidos a partir da 12 semana de gestação e pelo Pinard só pela 20 semana.

b. Percepção indireta do feto, através do toque vaginal, a partir da 14 semana. E a percepção dos movimentos fetais pelo MÉDICO a partir da 20 semana.

Existe ainda o exame laboratorial no qual se faz a dosagem do BHCG . 

sábado, 6 de agosto de 2016

DEPRESSÃO

Introdução 

A depressão pode ser definida como uma doença da mente e do corpo que se caracteriza por afetar o estado de humor da pessoa em qualquer ciclo da vida, deixando-a com um predomínio anormal de tristeza e diminuição de sua energia. Diagnosticada como doença há menos de 50 anos, a depressão é atualmente a quarta causa de incapacidade no mundo e deverá ser a segunda até 2020, de acordo com a a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que no mundo todo o número de pessoas afetadas chega a 350 milhões. Só no Brasil, a estimativa é de 10 milhões de casos, com prevalência entre 10,8 % ao ano, o maior de todos os índices registrados em outros países no ano de 2011. Dados epidemiológicos mostram que há um predomínio do sexo feminino em relação ao masculino (2:1) em adultos, bem como em solteiros, minorias étnicas e áreas rurais.
As causas envolvidas na depressão ainda são incertas e, atualmente, fala-se mais em um caráter multifatorial, resultante de fatores genéticos (genes que conferem maior ou menor vulnerabilidade à doença), biológicos (disfunção de monoaminas como serotonina, dopamina e noradrenalina; fatores humorais e inflamatórios; lesão ou disfunção cerebral) e ambientais (estresse, más condições de vida). 

Manifestações clínicas 

São sintomas de depressão:
● Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia;

● Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as tarefas diárias;

● Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis e prazerosas;

● Desinteresse, falta de motivação, apatia e indecisão;

● Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio;

● Pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa autoestima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte;

● Interpretação distorcida e negativa da realidade;

● Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento frequente;

● Perda ou aumento do apetite e do peso;

● Insônia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito superficial), despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário habitual) ou, menos frequentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo);

● Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos, como dores de barriga, má digestão, azia, diarreia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros.

Diagnóstico

Como forma de diagnóstico da doença, foram criados critérios de acordo com os sintomas mais característicos. Portanto, denomina-se depressão quando há a presença de, pelo menos, humor deprimido e/ou perda de interesse ou prazer, durante o mesmo período de 2 semanas. Além disso, o indivíduo deve apresentar cinco ou mais dos seguintes sintomas:
1. Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme relatado pelo próprio paciente (p. ex., sente-se triste, vazio ou sem esperança) ou por observação feita por outra pessoa (p. ex., parece choroso); 
2. Acentuada diminuição de interesse ou prazer em todas, ou quase todas, as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias;
3. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta (p. ex., mudança de mais de 5% do peso corporal em um mês) ou redução ou aumento no apetite quase todos os dias;
4. Insônia ou hipersonia quase diária;
5. Agitação ou lentificação quase todos os dias;
6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
7. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os dias (não meramente autorrecriminação ou culpa por estar doente);
8. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão quase todos os dias;
9. Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.

Tratamento

A depressão é uma doença e como tal deve ser tratada. Atualmente, o tratamento ideal e eficaz inclui tanto o tratamento medicamentoso com antidepressivos, quanto o tratamento psicoterápico. Enquanto a medicação desempenha o papel de reequilíbrio orgânico, a psicoterapia aborda estratégias terapêuticas que focalizam pensamentos e comportamentos associados ao humor deprimido, no modo como se relacionam consigo mesmo, com o mundo e com as pessoas. Assim, essa modalidade promove um melhor enfrentamento dos problemas e alívio de sintomas, além de prevenir futuras recaídas. 

Prevenção 

Identificar os primeiros sinais de alarme é o primeiro passo para prevenir a depressão ou evitar a progressão da doença. O diagnóstico preciso e precoce está relacionado a melhor prognóstico, o que torna fundamental a procura de ajuda quando o próprio indivíduo ou seus familiares detectam sinais e sintomas sugestivos. 10% a 25% dos que procuram clínicos gerais têm quadro depressivo. 
Depressão é uma doença recorrente. Aqueles que já apresentaram um episódio na vida apresentam cerca de 50% de possibilidade de manifestar outro quadro; quando há história prévia de duas recidivas, as chances aumentam para 70%, e de três episódios, chegam até 90%. Sendo assim, é fundamental que os indivíduos que já tiveram depressão procurem sempre estar em dia com a saúde física e principalmente mental, fazendo um adequado acompanhamento com profissionais de saúde habilitados. 

Terminou a leitura? Ótimo, Dr. Drauzio Varella quer trocar uma palavrinha com você (é rapidinho, não vai demorar)…